segunda-feira, 28 de março de 2011

Green, o aspirador que falava (parte III)

Como era a mais nova, e como a mãezinha não podia, nunca tive nada mesmo meu. Quarto, roupa, atenção plena dela e do paizinho quando ainda era vivo. Os irmãos passavam metade do tempo a tramar-se uns aos outros. O Gregório vivia agarrado às enciclopédias, o Guadalberto tentava mudar o mundo, a Leticia sempre apaixonada e os restantes estavam demasiado ocupados em marcar uma posição lá em casa. Uma verdadeira República das Bananas!

Resultado de tudo isto: O meu melhor amigo era um aspirador!

Há crianças que arranjam amigos imaginários...eu falava com o aspirador verde lá de casa, o Green! Contava-lhe os meus segredos, jogávamos às cartas, bebíamos o belo do chá das 5...com ele podia contar  para tudo, sempre!
Até que um dia a Leticia chateou-se com o namorado húngaro e descontou no Green. Coitado... foi directo para a sucata!
Nunca me irei esquecer dele. Aliás para o ter sempre presente na minha vida, já arranjei um aspirador verde...mais moderno, mas verde...aqui para a minha despensa.

Pensem o que quiserem! Agora já tenho amigos reais, mas nunca me esquecerei do meu Green, que quando todos me viraram costas, me deu a sua pega manual.

2 comentários:

  1. Então é por isto que a Margarida anda a chorar pelos cantos agora que o aspirador se estragou... está triste e sente falta do amigo... tadinha temos de o arranjar pelo bem da margarida

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  2. Passei por aqui para ver como andava a Margarida, já que a menina não se deixa ver há muuuito tempo! Vejo que os problemas circunstanciais se mantêm, mas fiquei contente por saber que decidiste partilhar experiências num local tão público. De qualquer das formas, penso que devias experimentar sair da despensa. Olha que o mundo cá fora tem muito mais piada!

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